sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Porque existem pessoas que são de ferro, outras de algodão. Porque uns clamam, outros suplicam. E existem dicotomias para cada ser vivo neste ecossistema e outras para uns ainda desconhecidos em outros planetas, porque uns querem, outros apenas desejam, e porque ninguém é igual a ninguém, quando entre eles há uma maiúscula e grande chance de diferenciar-se. Eu quero tudo único, desde meu nome até meu número de celular, eu não sou egoísta por saber que existem pessoas que são. E quando tento explicar para mim o que acontece quando encontro tantas semelhanças em alguém que mal conheço, noto que me sinto um trapo usado e desgastado pelo tempo. Há alguém com olhos castanhos também!, droga, e eu achava que era única. Mas eu sei, lá no fundo do meu cérebro a indiscutível verdade me agride com dores de cabeça enquanto grita: eu sou um eco. E o primeiro grito, aquele de um milhão de anos atrás, que me originou, talvez ainda esteja por aí percorrendo ondas invisíveis que arrodeiam-me. E novos ecos nascem a cada grito novo. Olhos castanhos, cabelos escuros, estranha e onde fica a originalidade, a diferença diante de todas as semelhanças? O meu sangue tem a mesma cor, a minha dor tem a mesma intensidade, então estive inerte este tempo todo por causa do primeiro grito que me originou? Porque existem gritos que fazem nascer, outros que já nascem ecos. Porque existem perguntas que começam como respostas, outras terminam perguntando um por quê? Se eu crio uma diferença tratam de torná-la comum.Porque podemos ser um, sendo vários. Porque mesmo junto eu me sinto distinta, mesmo igual a centenas eu me sinto diferente, eu sou apenas um eco, e todos os ecos são iguais. Porque eu posso gritar e terminar isto agora.

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