domingo, 25 de dezembro de 2011

We...

Ainda seremos nós!



Outro dia quando amanheceu, foi que eu resolvi dizer adeus. E foi aí que me lembrei de que incomoda despedir-se do que insiste em ficar. Porque se tem de ir, não é melhor que parta logo? Junte as malas, os apetrechos e saia batendo a porta da frente. É bem melhor. Mas não, eu tenho que andar aos tropeços pela casa, esbarrando aqui e ali com migalhas do passado. E ninguém é melhor do que eu em esbarrar em migalhas, acredite. Eu poderia até pisoteá-las e fingir que não as vejo, mas já me conheces, eu sempre esbarro, reparo, investigo de onde é que a tal migalha vem. E é quando começo a recolher passados no chão que percebo que eu não mudei, e fico imaginando que nada tenha mudado aí do seu lado também. Quer dizer, eu ainda durmo com as mãos debaixo do travesseiro, atendo o telefone no primeiro toque. Tenho medo do escuro, da solidão e nojo de  aranha, detesto adoçante e leio a página de horóscopo no jornal enquanto tomo chá de frutas vermelhas. Eu nunca acreditei em horóscopos, sabe? Mas quando leio algo do tipo “Seu amor está por perto.”, “Quem te ama vai voltar.”, eu logo penso que é você batendo a campainha, quando na verdade é o vizinho perguntando se o gato dele não está aqui em casa . As coisas não mudam tanto assim como pensamos que seja. E é por isso que eu esbarro nas migalhas. E tenho a impressão de que todo passado ainda quer ser presente, porque se não quisesse ele ia logo embora de vez, mas ele sempre fica. E sendo assim, eu esqueço o gato de propósito dentro de casa, porque acredito que um dia, quando a campainha tocar, vai ser você com ele nas mãos, dizendo: “Querida, hoje o gato está comigo”, o gato nunca esteve em minha casa. As coisas não mudam tanto assim, enquanto não desatarmos, ainda seremos nós. 

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